Dezembro 30th, 2019 Por cabritta

Ana Gomes manteve em tribunal o que escreveu no Twitter e revelou que deu à PGRelementos” contra a empresária.

Isabel dos Santos diz que julgamento “é uma vitória”Global Media também já reagiu.

17 dez 2019, 16:59 57

Observador  Carolina Branco           

 

A ex-eurodeputada Ana Gomes começou a ser julgada esta terça-feira no Juízo Local Cível de Sintra

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Desde ter pessoas a “limpar-lhe a Wikipédia a utilizar Portugal  para lavar dinheiro”, muitas foram as acusações que a ex-eurodeputada Ana Gomes fez a Isabel dos Santos.

Esta terça-feira foi ouvida em tribunal na sequência de um processo apresentado pela empresária angolana por ofensa ao seu bom nome e reputação.

Uma das acusações foi a de que Isabel dos Santos controla, através de um testa de ferro, a Global Media” — o grupo que detém meios de comunicação como o Diário de Notícias, Jornal de Notícias e TSF e que já reagiu a estas declarações.

“Põe toda a gente a limpar-se na Wikipédia. Controla tudo o que sai sobre ela na imprensa. Controla através de um testa de ferro, a Global Media”, afirmou.

O grupo Global Media já emitiu um comunicado onde “desmente categoricamente” estas declarações e “esclarece que nenhum acionista e nenhum administrador” mantém com Isabel dos Santos “qualquer relação passível de configurar as insinuações proferidas”.Tais afirmações são tanto mais graves porquanto terem sido proferidas em tribunal perante um Juiz de Direito”, lê-se ainda.

Isabel dos Santos já reagiu às acusações. Numa declaração enviada à agência Lusa, a empresária angolana diz que a eurodeputada “tem vindo, há vários anos, a fazer uma campanha politicamente motivada, negativa e falsa contra si. 

Para si, haver um julgamento é positivo, “independentemente do resultado” — que ainda deverá demorar a saber-se: a juíza marcou para a próxima quinta-feira as alegações deste processo cível.

 … A ex-eurodeputada Ana Gomes à chegada ao Tribunal de Sintra (Álvaro Isidoro/Global Imagens)

 

Na origem deste processo estão seis tweets — que Isabel dos Santos quer, através da justiça, ver eliminados da sua página — no qual a ex-eurodeputada socialista acusa a empresária angolana de lavagem de dinheiro. Apesar de a decisão do tribunal poder vir a ser a eliminação das publicações,

Ana Gomes manteve em tribunal o que lá escreveu e revelou que apresentou uma queixa à Procuradoria-Geral da República, à diretora da Autoridade Tributária e às instâncias europeias com “elementos concretos” contra a empresária.

A queixa, disse, foi entregue no dia 12 de novembro, ainda antes de saber que tinha sido alvo de um processo por Isabel dos Santos.

 

Forneci elementos à senhora Procuradora. Tenho muitos outros elementos que demonstram que há todo um esquema de empréstimos feito por Isabel dos Santos e seus familiares”, assegurou, adiantando que “entretanto” recebeu “informação altamente preocupante”.

Ana Gomes fez estas acusações depois de questionada pela juíza sobre qual é que era “a sua ideia” quando escreveu os tweets em causa, na sequência da entrevista em que a empresária angolana dizia que tinha “muitas dívidas” e “muito financiamento por pagar”.

A antiga eurodeputada garantiu não ter “nada de pessoal” contra a empresária, mas considerou ser a sua “obrigação”, depois de ver “uma pessoa como a Isabel dos Santos a armar-se em coitadinha”.

Se é a mulher mais rica de África, para que é que precisa de fazer empréstimos ?”,

questionou, provocando algumas gargalhadas às pessoas que estavam na sala de audiência.

Na audiência presidida por juíza singular, Ana Gomes explicou também que conhece “os mecanismos de branqueamentoe que estão em causa pessoas que “utilizam” Portugal para lavar dinheiro, em roubo do povo angolano”.

Não posso compactuar com esta criminalidade, nem com os intermediários que são participantes, coniventes”, disse ainda.

“A imagem que se tem de Isabel dos Santos é a imagem de predadora”

A ex-eurodeputada apontou ainda outra crítica à filha do ex-presidente de Angola: Vale-se da justiça em Portugal para eu estar aqui, mas não responde à justiça no seu país”.

Ana Gomes referia-se ao inquérito aberto, em março do ano passado, pela PGR angolana relacionado com alegadas transferências de mais de 38 milhões $$ de dólares, que teriam sido feitas por Isabel dos Santos, da Sonangol para uma empresa no Dubai,depois de exonerada da presidência do Conselho de Administração da empresa.

A empresária já foi notificada para prestar declarações, mas não compareceu sem apresentar justificações.

 

 … O jornalista angolano Rafael Marques foi ouvido como testemunha de Ana Gomes (Álvaro Isidoro/Global Imagens)

Embora a investigação tenha sido aberta depois de Carlos Saturnino, substituto de Isabel dos Santos na Sonangol, ter acusado a empresária publicamente, estas alegadas transferências vieram a público num investigação do jornalista Rafael Marques — ouvido esta terça-feira na qualidade de testemunha de Ana Gomes.

O jornalista disse inclusive ao tribunal que, no dia em que foi notificada, Isabel dos Santos “refugiou-se na casa do pai e saiu diretamente para o aeroporto”. 

Até hoje, a engenheira não regressa a Angola para responder ao referido processo”, apontou.

Rafael Marques disse ainda que a empresária tem, em Angola, uma “imagem de predadora precisamente porque foi das pessoas que mais beneficiou dos grandes negócios que o pai lhe deu de forma abusiva“. Questionado sobre o impacto dos tweets de , o jornalista referiu que o que lá estava escrito “não espantou ninguém”.

“Em Angola, não era novidade”.

Após os tweets de Ana Gomes, há “um maior nervosismo e ansiedade dos parceiros de negócios”

Na queixa de 47 páginas apresentada por Isabel dos Santos e publicada por Ana Gomes no seu site, a filha do ex-presidente de Angola alega que as publicações do Twitter são falsas e “provocam um imediato, sem retorno e incontrolável dano à imagem, honra e bom nome” da empresária e têm um “impacto material nos negócios” de que é acionista.

Além de Rafael Marques foram ouvidas mais três testemunhas, mas da parte de Isabel dos Santos.

Um deles, o economista Mário Leite da Silva, que representa da empresária angolana na Efacec e em outras empresas que detém, considerou que os tweets de Ana Gomes são “de uma gravidade extrema” e que tiveram “um impacto profundamente negativo”

Nota-se um maior nervosismo e ansiedade dos parceiros de negócios. Temos de andar constantemente a explicar que não é assim. Teve impacto ao nível financeiro, em auditorias, com clientes e fornecedores”, explicou.

O administrador da NOS, José Costa, outra testemunha de Isabel dos Santos, disse à juíza que, embora não tivesse tido “qualquer feedback” relativamente aos tweets em questão, de forma genérica, “notícias negativas sobre a empresária acabam por não ser positivas para a reputação das empresas”.

Rui Carlos Lopes, antigo diretor executivo do BPI e agora com funções em várias empresas relacionadas com Isabel dos Santos, defendeu que as acusações de Ana Gomes não têm “qualquer fundamento”.

Realização de julgamento de Ana Gomes “já por si é uma vitória”, diz Isabel dos Santos

Horas depois de terminada a sessão, Isabel dos Santos reagiu ao julgamento que considera ser “já por si é uma vitória” e um “contributo para repor a verdade e responder às sucessivas calúnias que Ana Gomes tem feito“.

Numa declaração à agência Lusa, a empresária disse que “independentemente do resultado” deste processo, “é já uma grande vitória termos acesso à Justiça e o tribunal ter aceitado julgar este caso, reconhecendo que há matéria para julgamento”.

“Durante muito tempo, na qualidade de eurodeputada, gozou de imunidade pelo que anteriormente não foi possível tomar nenhuma atitude em relação às falsas acusações e mentiras por ela proferidas. Ao deixar de ser eurodeputada, surgiu pela primeira vez a possibilidade de ir à Justiça reclamar pelo meu bom nome”, afirmou.

A empresária lamentou que “apesar dos cargos políticos e diplomáticos que já exerceu”, Ana Gomes insista “em fazer comentários falsos e lamentáveis” que atingem não só o seu bom nome “mas também as empresas”. Afeta os trabalhadores destas empresas e as suas famílias. 

Trata-se de uma clara tentativa de hostilizar gratuitamente todo o meu percurso profissional e pessoal”, disse Isabel dos Santos, recordando que “em casos de ação especial da tutela de personalidade ou nos casos de queixa por difamação, muitas vezes é difícil que o tribunal aceite a queixa e muitos dossiês acabam em arquivamento”.

Lava que se farta”. Como a polémica começou no Twitter

A polémica, que chegou a tribunal, começou com um tweet publicado por Ana Gomes, no dia 14 de outubro deste ano: Isabel dos Santos endivida-se muito porque, ao liquidar dívidas, ‘lava’ que se farta! E os bancos querem ser ressarcidos, só em teoria cumprem a AMLD [a diretiva europeia de combate à lavagem de dinheiro].

E o Banco de Portugal não quer ver.

Com esta publicação, a antiga eurodeputada reagia a uma entrevista de Isabel dos Santos à agência Lusa — publicada horas antes e partilhada inclusive junto com o controverso tweet —, onde a empresária angolana revelava que trabalhava com vários bancos e tinha “muitas dívidas” e “muito financiamento por pagar”.

As taxas de juros são elevadas, nem sempre é fácil também ter essa sustentabilidade do negócio, para conseguir enfrentar toda a parte financeira dos negócios, mas também boas equipas e trabalhamos para isso”, dizia.

Ana Gomes@AnaMartinsGomes

 

Isabel dos Santos endivida-se mto porque, ao liquidar as dívidas, “lava” q se farta ! E bancos querem ser ressarcidos, só em teoria cumprem #AMLD, de facto não querem saber a origem do dinheiro…E ⁦@bancodeportugal⁩ não quer ver… #Angola #Portugal

https://www.jornaldenegocios.pt/economia/mundo/africa/angola/detalhe/isabel-dos-santos-diz-que-se-endivida-para-investir-e-que-nao-usa-dinheiro-publico-angolano– …

Isabel dos Santos diz que se endivida para investir e não usa dinheiro público angolano

A mulher mais rica de África, a empresária angolana Isabel dos Santos diz que as recorrentes dúvidas sobre a origem dos seus investimentos resultam de narrativa negativa, alegando que se tem endivi…

jornaldenegocios.pt

Só que, depois deste tweet, veio mais outro, minutos mais tarde. Neste, Ana Gomes acusava Isabel dos Santos de usar o branco Eurobic para fazer circular o dinheiro: “Que jeito dá à PEPíssima acionista Isabel dos Santos o Eurobic! Está na rede swift e na Zona Euro, passa por lá para liquidar dívidas junto de outros bancos. Sem due diligences pois já circulou por banco da zona Euro”, escreveu referindo-se à empresária angolana como uma Pessoa Politicamente Exposta [PEP], ou seja, uma pessoa que teve, nos últimos meses, funções públicas de relevância.

Ana Gomes@AnaMartinsGomes

Que jeito dá à PEPíssima accionista Isabel dos Santos o @banco_eurobic! Está na rede swift e na Zona Euro, passa por lá p/ liquidar dívidas jto de outros bancos. Sem “due diligences” pois já circulou por banco da zona Euro. @bancodeportugal e @ecb assobiam para ar! Angola #amld

https://twitter.com/AnaMartinsGomes/status/1183693593741017089 …

Ana Gomes@AnaMartinsGomes

Isabel dos Santos endivida-se mto porque, ao liquidar as dívidas, “lava” q se farta! E bancos querem ser ressarcidos, só em teoria cumprem #AMLD, de facto não querem saber a origem do dinheiro…E ⁦@bancodeportugal⁩ não quer ver… #Angola #Portugal

https://www.jornaldenegocios.pt/economia/mundo/africa/angola/detalhe/isabel-dos-santos-diz-que-se-endivida-para-investir-e-que-nao-usa-dinheiro-publico-angolano– …

11:54 – 14 de out de 2019

No dia seguinte, veio ainda um terceiro e um quarto tweet. Num, lia-se: “Há aí quem me acuse de não comunicar às autoridades as razões/provas por que reitero que Isabel dos Santos branqueia capitais de Angola através da banca em Portugal.

Enganam. Estou farta de o fazer, em documentos que publiquei.

Só não vê quem não quer”. Noutro, lia-se: “Como se vê por esta resposta à minha carta, o Banco de Portugal vale-se do segredo da supervisão bancária” para fechar os olhos, não ver o que é evidente e deixar tudo como a tes relativamente a investimentos de Isabel dos Santos”.

A 16 de outubro, Ana Gomes voltou ao Twitter insistiu que Isabel dos Santos “branqueia capitais desviados de Angola através de bancos como o Eurobic e outros investimentos em Portugal”.

No dia seguinte, novo tweet : “Alguns dos bancos de que é dona e/ou alguns dos 15 bancos com que trabalha a engenheira Isabel dos Santos e outros expoentes da cleptocracia angolana.

[Atualizado às 20h35 com a nota de esclarecimento da Global Media]

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Mise en forme : jinga Davixa

29 de decembro de 2019

 

KLEPTO-MANIA : João Lourenço manda arrestar tudo o que é de ISABEL DOS SANTOS …

DITADURA : ..(Já) temos em Angola um sistema judicial credível ?..

DROITS DE L’HOMME : .. un fardeau qui s’appelle,.. JOAO-MARIA de SOUSA …

CABRITTA : Conselhos praticos para presos de luxo… e ..outros .. “V.I.P” : .. BASTA de “Cabritismo” ?..

LAVA JATO : SIC notifica empresa ligada a LOPO DO NASCIMENTO …

O “Cabritismo” $$ … ate… nas artes ?.. $$…

KLEPTO-MANIA : O comunicado oco de Isabel dos Santos, sobre Ana Gomes …

LAVA-JATO EM ANGOLA …

ZENÚ ? : A Corrupcao mata…

KLEPTO-MANIA : .. um fardo chamado,.. JOAO-MARIA de SOUSA …

DOMINGOS DA CRUZ : “.. Não há medidas concretas para melhorar a vida das pessoas em Angola ” …

LAVA JATO : ..Les Gouvernants de l’Angola traités de .. « Criminels » … (vidéo..)..

LAVA JATO : Destruir o covil de ladrões …

LAVA JATO : Dívidas de Angola devem ser investigadas, dizem economistas …

EPIDEMIA : Angola a braços com febvre malária… que já matou até agosto mais de 4.000 pessoas !..

LAVA JATO : Jornal inglês revela, que Isabel dos Santos é proprietária de uma mansão de 15 milhões de $$ dólares em Londres …

SONANGOL : a Belinha ?.. come,..come,.. tudo,.. onde ela é amarrada !.. – “cabritta”

ANGOLA : Conseils pratiques pour prisonniers .. de Luxe .. et autres..”V.I.P” ?.. – Rafael Marquès de Morais

ISABEL DOS SANTOS & SINDIKA : Diamonds for ever ?..

ANGOLA : « Il peut y avoir pardon,.. mais l’argent expatrié doit être restitué à l’Etat, sans conditions » – Pr. Fernando Macedo –

LUNDA NORTE : Cafunfo en État de Siège,.. des Manifestants sous le Feu de l’ Armée,.. et de la POLICE …

BNA : .. GOUVERNEUR MASSANO ?.. LA DÉMISSION… C’ EST MAINTENANT ?..

UNITEL : Dino Pistoleiro, le Général Far-West !..

BESA : um “cabritismo” altos lugares… altas figuras…e..”V.I.P” ?.. – Cabritta investigadora –

MIRAMAR : .. O “Bunker” do “Cabritismo” ?..

«Tôt ou tard, ils finiront en prison » – Rafael Marques

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Publicado em Branqueamento de capitais, Cleptocracia, Fuga ao fisco, Interview, Tribunal Etiquetas: , ,

Novembro 11th, 2019 Por cabritta

Quem lida há algum tempo com Isabel dos Santos já sabe que ela, quando se sente particularmente afectada por algum comentário ou opinião, emite longos comunicados. Regra geral, esses comunicados não passam de relambórios confusos e vagos de supostos factos que não resistem a uma análise cuidadosa.

É o que acontece com a longa peça tornada pública a propósito da entrevista em que Ana Gomes (ex-deputada portuguesa ao Parlamento Europeu), no canal de televisão SIC, acusa Isabel dos Santos de lavagem de dinheiro (15 de Outubro de 2019).

O comunicado de resposta emitido por Isabel levanta demasiadas questões e produz afirmações descaradamente insustentáveis, que têm de ser confrontadas e contraditadas.

Vejamos apenas os pontos essenciais, para não nos perderemos na floresta caótica de pormenores que Isabel dos Santos lança para confundir os tolos entre as brumas da perplexidade.

Afirma o comunicado que é falso que Isabel dos Santos tenha deixado de ser accionista do BPI por imposição de autoridades nacionais e internacionais de supervisão financeira, e que a sua saída foi um movimento accionista normal.

É evidente que não foi assim.

Lembremos a carta de 16 de Dezembro de 2016, em que o líder da ABE (Autoridade Bancária Europeia, organismo europeu de supervisão bancária), Andrea Enria, se dirigia à então eurodeputada Ana Gomes e seus colegas.

Na missiva, Andrea Enria manifestava as suas preocupações relativamente à intervenção de Isabel dos Santos na banca europeia.

Nesse documento, primeiramente, a ABE reportou que durante o ano de 2016 tinha trabalhado em estreita colaboração com o Banco de Portugal, e que podia informar que Isabel dos Santos não fazia parte de qualquer Conselho de Administração de nenhum banco europeu.

Percebe-se, da leitura atenta do documento, que a ABE estabelecera como objectivo afastar Isabel dos Santos da administração de qualquer banco na Europa. A carta anunciava aos deputados europeus a consecução desse objectivo.

Ana Gomes, ex-deputada portuguesa ao Parlamento Europeu que acusou publicamente Isabel dos Santos de lavagem de dinheiro.

Uma segunda preocupação da ABE era a detenção, por parte de Isabel dos Santos, de posições accionistas na banca europeia.

Ana Gomes, ex-deputada portuguesa ao Parlamento Europeu que acusou publicamente Isabel dos Santos de lavagem de dinheiro

A ABE reconhecia que Isabel dos Santos detinha posições relevantes no BPI e no BIC portugueses, e que obteve essas posições devido a deficiências portuguesas na implementação de directivas europeias.

Foram essas anomalias que impediram o Banco de Portugal de recorrer às variadas fontes de informação a que era obrigado, em virtude da lei europeia, para averiguar a reputação, o conhecimento e a experiência da accionista Isabel dos Santos.

A ABE, ao mesmo tempo, poupava o Banco de Portugal à desonra de ver instaurado um processo por violação da lei europeia no caso de Isabel dos Santos, e obrigava-o a rever os seus procedimentos, e em especial a atentar à posição de Isabel dos Santos no BIC. Quanto ao BPI, a ABE considerava que a venda da posição de Isabel dos Santos resolvera o problema.

Fica então bastante claro, a partir de tudo o que se referiu, que a ABE via com suspeita a participação de Isabel dos Santos como accionista de bancos na Europa, sendo bastante óbvia a posição da máxima entidade reguladora europeia quanto à presença de Isabel dos Santos na banca da União Europeia.

O EuroBic

Em Maio de 2016, foi tornado público um relatório do Banco de Portugal sobre a gestão do BIC, o banco de Isabel dos Santos em Portugal, de cujo Conselho de Administração esta fazia parte.

O supervisor português arrasava a gestão do BIC.

Na altura, escrevia o Banco de Portugal, o BIC apresenta um conjunto de fragilidades relevantes na estrutura de governo interno, nomeadamente ao nível do funcionamento dos seus órgãos sociais, do envolvimento dos mesmos na definição, discussão e acompanhamento da estratégia e da actividade corrente do banco e da adequação dos recursos alocados às funções de controlo”.

E criticava expressamente Isabel dos Santos:Isabel dos Santos, a maior accionista do BIC com 42,5% do capital, apenas compareceu em uma reunião realizada em 2013. Em nenhuma das reuniões do Conselho de Administração de 2014 ou de 2015 a empresária esteve presente, e em nenhuma delas se fez representar.”

Em Junho de 2016, depois deste relatório, Isabel dos Santos demitiu-se da administração do BIC; afirmando o próprio Banco de Portugal que não havia controlo no banco, dificilmente se poderá garantir que não houve séria e variada actividade de branqueamento de capitais.

 

EFACEC

Sobre o negócio da EFACEC, também referido no comunicado, começamos por fazer uma pergunta: o que levou o presidente João Lourenço a ordenar a saída da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) da parceria com a Efacec Power Solutions ?..

Basta relembrar os factos: em Junho de 2015, foi anunciado que Isabel dos Santos ia comprar a EFACEC.

O preço da compra seria de 200 milhões de euros.

Também em Junho de 2015 circularam notícias segundo as quais a EFACEC, depois de comprada, seria a fornecedora de material eléctrico para três barragens em construção em Angola, incluindo Cambambe e Laúca. A compra seria efectuada por uma empresa-veículo com o nome de Winterfell Industries.

Torna-se público, em 18 de Agosto de 2015, que o pai-presidente José Eduardo dos Santos tinha exarado um despacho presidencial segundo o qual uma empresa pública angolana de electricidade compraria 40% da Winterfell por preço desconhecido.

Em Setembro de 2015, a compra já se tinha concretizado e a Winterfell Industries, pertencente a Isabel dos Santos, já detinha 65% da EFACEC.

O resultado da elencagem dos factos aparenta ser simples, o Estado angolano foi sócio de Isabel dos Santos na compra da EFACEC e preparava-se para lhe entregar várias obras de grande porte.

O pai alavancou a filha, por via do nepotismo e do abuso de poder, em circuito fechado.

UNITEL

A arbitragem que decorreu em Paris refere-se a um processo que opõe a PT Ventures (antiga Portugal Telecom, entretanto fundida com a OI) à Vidatel (empresa que detém a participação de Isabel dos Santos na Unitel).

Além de a arbitragem ter sido decidida contra a empresa de Isabel dos Santos, o mais caricato foi a presença desta em audiência. No depoimento que prestou em França, embora protegida pelo seu exército de advogados portugueses, vieram ao de cima as fragilidades de Isabel.

Perante cinco juízes arbitrais internacionais, Isabel foi confrontada com variadas questões durante mais de cinco horas.

As suas respostas refugiaram-se demasiado nos vagos “não me lembro”, “não sei”.

Isabel utilizou esta estratégia pelo menos 40 vezes.

No quarto dia, quando questionada acerca da atribuição de bónus em dinheiro na Unitel a si própria e confrontada com a acta relativa a essa decisão, começou por dizer que não sabia se tinha comparecido em tal reunião: Eu não sou muito boa com datas”, afirmou.

Depois, leu a acta e confirmou que tinha estado presente na reunião. Porém, quando questionada sobre o conteúdo da acta que se referia ao pagamento de bónus em dinheiro a ela e a outros administradores, respondeu:

Eu não me lembro de pagamentos de bónusNão me lembro disso.” No mesmo quarto dia, Isabel também foi questionada sobre o facto de a

Unitel ter transferido para a sua empresa Tokeyna o direito a receber 465 milhões $$ de dólares que haviam sido emprestados para outra http://franceangola.com/bna-gouverneur-massano-la-demission-c-est-maintenantempresa sua, a Unitel International Holdings, por 150 milhões $$ de dólares, gerando assim uma perda para a Unitel de 315 milhões de dólares. Isabel assinou os contratos, mas não sabe os detalhes.

O diálogo que se segue entre o inquiridor e Isabel é hilariante:

Pergunta: Reconhece a assinatura no contrato mostrado na página 23 como sendo sua ?
Resposta de Isabel: Sim.

Pergunta: De acordo com este contrato, a Unitel entregava à Tokeyna o direito de ser ressarcida de sete empréstimos da UIH ? Correcto ?

Resposta de Isabel: Sim.

Pergunta: E em troca desse reconhecimento a Tokeyna tem de pagar 150 milhões $$ de volta à Unitel ?

Resposta de Isabel: Não sei os detalhes.

Pergunta: Tem conhecimento de que os valores devidos à Unitel eram superiores a mais de 150 milhões de$$  dólares ?

Resposta de Isabel: De novo, não sei os detalhes.

Pergunta: Sabe que este contrato causou elevados prejuízos à Unitel ?

Resposta de Isabel: Eu não preparo as contas da Unitel. São os contabilistas e os serviços que as fazem. (…)

Eu aprovo as contas, não as faço..

 .. Eu aprovo as contas, não as faço..

 

Esta última afirmação sintetiza a incongruência das afirmações de Isabel. Quem assina as contas é responsável por elas e deve o que nelas consta.

Isabel dos Santos nunca sabe, nunca conhece, nunca se responsabiliza.

A Galp

Uma nota final sobre a Galp.

É hoje claro que foi a Sonangol que adiantou o dinheiro a Isabel dos Santos para a compra da sua participação pessoal na Galp, e não é claro, sequer, se esta já devolveu à empresa estatal esse dinheiro.

Aparentemente, queria devolvê-lo em Kwanzas, o que não foi aceite, pois recebeu-o em divisas.

Sobre a Sonangol e a origem da fortuna de Isabel dos Santos, não nos alongaremos por agora mais. Apenas informamos que está em curso uma profunda investigação sobre o tema, a qual trará à luz novos e dramáticos elementos.

 Rui Verde – 6 de Novembro de 2019 – Maka angola

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