Novembro 12th, 2019 Por cabritta

Domingos da Cruz  O professor universitário Domingos da Cruz disse hoje à Lusa que não há medidas concretas em Angola para melhorar a vida dos cidadãos, considerando que as reformas lançadas por João Lourenço não mostram uma estratégia económica

É certo que não se pode reestruturar o país em dois anos, mas do ponto de vista económico não há avanços,

não há medidas concretas que mudem substancialmente a vida das pessoas, porque o que assistimos são medidas isoladas, parecem sem sentido, completamente descoordenadas”, disse o académico e ativista Domingos da Cruz em entrevista à agência Lusa, em Lisboa.

[João Lourenço]não é um homem que tem, de facto, um projeto político de país, que seja sistemático,

medidas isoladas e essas são inaceitáveis quando se está a governar um país, porque um país governa-se de forma diferente”, defendeu o académico que foi o tradutor do livro `From dictatorship to Democracy:

A Conceptual Framework for Liberation`, escrita por Gene Sharp, pelo qual acabou condenado a uma pena de prisão.

“Governar éresolver os problemas das pessoas de forma concreta; ora, quando alguém chega ao poder num país esfacelado como Angola, é preciso tomarmedidas concretas, mas a arquitetura política angolana infelizmente inviabiliza qualquer progressão nos mais variados campos”, lamentou Domingos da Cruz, considerando que João Lourenço é cúmplice da manutenção do status quo, já que rejeita alterações constitucionais.

Quando se opõe a uma reforma constitucional, significa que tem simpatia pelo poder autoritário,

porque a Constituição vigente adequava-se perfeitamente ao exercício de um poder autoritário, terá sido construída à vontadede José Eduardo dos Santos e o novo Presidente também se sente bem neste fato”, acusou.

Questionadosobre as reformas económicas lançadas pelo Governo, e que são apontadas pela comunidade internacional como sinal de uma mudança concreta no país, Domingos da Cruz defendeu que são medidasavulsas e que ainda não surtiram efeito.

Temos muita genteem situação de miséria absoluta, podíamos elaborar um programa de transferência de renda [rendimentos] aos mais vulneráveis, apoio a crianças e famílias numerosas,

criação de um banco que concedesse crédito a pequenos e micro negócios, e ainda ponto de vista da alteração da arquitetura política, é preciso uma reforma ao nível do sistema de defesa e segurança”, apontou.

Ao nível da imprensa, continuou,João Lourenço devia apoiar a imprensa privada, mas não o faz, criticou o académico, questionando:

“Como ter um discurso plural, verdadeiramente democrático, e não apoia a imprensa privada, pelo contrário, estamos a ver um discurso de manipulação mais ou menos generalizado, na televisão pública de angola, na rádio pública, na Angop, ou seja, é o regresso dos que nunca foram”, concluiu.

Em junho de 2015, Domingos da Cruz foi detido com outros 16 ativistas angolanos e, um ano depois, foi condenado a oito anos e meio de prisão, por atos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores, a pena mais dura do grupo.

 jornalhorah

Mise en forme : jinga Davixa

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